O Boletim Focus publicado pelo Banco Central do Brasil na última semana consolidou uma projeção que preocupa o governo Lula e os agentes econômicos: a taxa básica de juros, a Selic, deverá encerrar 2026 em 13% ao ano, patamar que representa uma das maiores taxas de juro real do mundo entre as economias emergentes com grau de desenvolvimento comparável ao brasileiro. O cenário é resultado da combinação de fatores internos e externos que se retroalimentam: a inflação medida pelo IPCA projeta encerrar o ano em 4,8%, acima do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, pressionada pela escalada dos preços de energia no mercado internacional em razão do conflito armado no Oriente Médio, pela depreciação do real frente ao dólar e pela persistência de núcleos inflacionários ligados ao setor de serviços, que refletem a resiliência do mercado de trabalho e o aquecimento do consumo das famílias. O Comitê de Política Monetária, o Copom, encontra-se diante de um dilema de política econômica cujas implicações se estendem ao campo político: apertar ainda mais os juros para ancorar as expectativas inflacionárias implica frear o crescimento, aumentar o custo da dívida pública e comprometer programas de investimento que o governo apresenta como conquistas da gestão Lula; abrir mão do aperto monetário, por outro lado, arrisca desancoragem das expectativas e perda de credibilidade do arcabouço macroeconômico. O Ministério da Fazenda, liderado pelo ministro Fernando Haddad, tem insistido na compatibilidade entre responsabilidade fiscal e crescimento econômico, sinalizando ao mercado a disposição de manter o arcabouço fiscal vigente como âncora da estabilidade. O FMI, em seu relatório de abril, elevou a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 1,9% em 2026, mas ressalvou que os riscos externos representam um vetor de incerteza difícil de quantificar com precisão neste momento.

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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe

HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

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